A "virgem ofendida"

A
"virgem ofendida" acredita poder fazer tudo o que entende, sem que daí
advenha qualquer comentário da parte de outros sobre quem tenham tido
implicações e consequências os atos praticados pela "virgem ofendida". Quando
criticada por alguma das suas atitudes, a "virgem ofendida" nem sequer
perde um segundo do seu precioso tempo para refletir acerca da
[im]pertinência da crítica: ou parte para o ataque, ameaçando com
processos por injúria, ou assume o papel da "coitadinha" que não tem
culpa de ser como é e de fazer o que faz, levantando de imediato o
estandarte do fatalismo que justifica e serve de desculpa para tudo o
que faz/não faz (e deveria fazer...).
A
"virgem ofendida" procura frequentemente a companhia do "politicamente
correto", que faz da luta contra qualquer expressão ou atitude que possa
ofender a "virgem ofendida" a razão da sua existência, alegando que a
"coitadinha" não tem culpa de ser como é, que nem todos somos iguais,
que ninguém é perfeito, que blá-blá-blá...Confortavelmente
instalada sob o manto protetor do "politicamente correto" (que, apesar
de encontrar fundamento nas críticas dirigidas à "virgem ofendida",
considera que elas não devem ser proferidas - não vá ela ofender-se...),
a "virgem ofendida" aproveita para levar uma vida caracterizada pela
irresponsabilidade, cada vez mais convicta de que a ameaça com processos
judiciais contra "injúrias" e a inexorabilidade do destino que a fez
ser como é tudo justificam.A
"virgem ofendida" foge, protegida por tudo isto, da reflexão sobre os
seus comportamentos e, consequentemente, da alteração das suas atitudes,
coisas que a obrigariam a sair da sua zona de conforto e a ter de fazer
o que não faz.
Quando,
por um qualquer acaso do destino (sim, aquele destino a que a "virgem
ofendida" não pode fugir e que justifica que ela seja assim...), um dos
"politicamente corretos" com quem ela andava de braço dado se transforma
no alvo das suas irresponsabilidades e sente na pele o que outros
sentiram, a "virgem ofendida" não revela qualquer preocupação: haverá
sempre outros "politicamente corretos" que a defenderão, mesmo que
alguns deles não tenham qualquer prurido em criticar a "virgem
ofendida", mas sempre na sua ausência e sem ela saber (não vá ela
ofender-se...).
É certo que todos somos imperfeitos, mas o que nos distingue e nos deixa a milhas de distância da "virgem ofendida" é a capacidade que temos para refletir sobre o que somos e como somos e a VONTADE que temos de escolher caminhos que nos levem a melhorar aquilo em que somos imperfeitos. Mas isso obriga-nos a sair da zona de conforto onde as "virgens ofendidas" estão confortavelmente instaladas, alegando que temos de as aceitar como elas são e esquecendo que a decisão de aí permanecer é, ela já, resultado de uma escolha e não de uma qualquer fatalidade do destino.