A "virgem ofendida"

29-05-2022

A "virgem ofendida" acredita poder fazer tudo o que entende, sem que daí advenha qualquer comentário da parte de outros sobre quem tenham tido implicações e consequências os atos praticados pela "virgem ofendida". Quando criticada por alguma das suas atitudes, a "virgem ofendida" nem sequer perde um segundo do seu precioso tempo para refletir acerca da [im]pertinência da crítica: ou parte para o ataque, ameaçando com processos por injúria, ou assume o papel da "coitadinha" que não tem culpa de ser como é e de fazer o que faz, levantando de imediato o estandarte do fatalismo que justifica e serve de desculpa para tudo o que faz/não faz (e deveria fazer...).

A "virgem ofendida" procura frequentemente a companhia do "politicamente correto", que faz da luta contra qualquer expressão ou atitude que possa ofender a "virgem ofendida" a razão da sua existência, alegando que a "coitadinha" não tem culpa de ser como é, que nem todos somos iguais, que ninguém é perfeito, que blá-blá-blá...Confortavelmente instalada sob o manto protetor do "politicamente correto" (que, apesar de encontrar fundamento nas críticas dirigidas à "virgem ofendida", considera que elas não devem ser proferidas - não vá ela ofender-se...), a "virgem ofendida" aproveita para levar uma vida caracterizada pela irresponsabilidade, cada vez mais convicta de que a ameaça com processos judiciais contra "injúrias" e a inexorabilidade do destino que a fez ser como é tudo justificam.A "virgem ofendida" foge, protegida por tudo isto, da reflexão sobre os seus comportamentos e, consequentemente, da alteração das suas atitudes, coisas que a obrigariam a sair da sua zona de conforto e a ter de fazer o que não faz.

Quando, por um qualquer acaso do destino (sim, aquele destino a que a "virgem ofendida" não pode fugir e que justifica que ela seja assim...), um dos "politicamente corretos" com quem ela andava de braço dado se transforma no alvo das suas irresponsabilidades e sente na pele o que outros sentiram, a "virgem ofendida" não revela qualquer preocupação: haverá sempre outros "politicamente corretos" que a defenderão, mesmo que alguns deles não tenham qualquer prurido em criticar a "virgem ofendida", mas sempre na sua ausência e sem ela saber (não vá ela ofender-se...).

É certo que todos somos imperfeitos, mas o que nos distingue e nos deixa a milhas de distância da "virgem ofendida" é a capacidade que temos para refletir sobre o que somos e como somos e a VONTADE que temos de escolher caminhos que nos levem a melhorar aquilo em que somos imperfeitos. Mas isso obriga-nos a sair da zona de conforto onde as "virgens ofendidas" estão confortavelmente instaladas, alegando que temos de as aceitar como elas são e esquecendo que a decisão de aí permanecer é, ela já, resultado de uma escolha e não de uma qualquer fatalidade do destino.

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